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 Dica de Leitura: Sapos e princesas

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Niele
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MensagemAssunto: Dica de Leitura: Sapos e princesas   Sex 01 Nov 2013, 15:56

Sapos e princesas
 
Nos seus primórdios, a antropologia brasileira se estabeleceu através do estudo das populações consideradas exóticas pela elite intelectual do país; sobretudo os índios e os negros. Central a essa pesquisa foi a preocu­pação com a identidade nacional, a própria construção da nação, sempre com o pressuposto da eventual assimilação daquilo que era diferente, resultando numa cultura nacional híbrida.
 
A partir da década de 1970, sobretudo, alguns antropólogos no Brasil começaram a olhar para assuntos e atores sociais mais próximos a eles, transformando, na feliz expressão de Roberto DaMatta, aquilo que parecia familiar em exótico. Liderando esse processo, o próprio DaMatta transformou a nossa maneira de entender o Carnaval de algo do reino do puro divertimento, ou pão e circo, para subjugar as massas em um evento capaz de ritualizar aspectos fundamentais da experiência social brasileira.
 
Essa démarche da antropologia não se deu em qualquer vazio social, tanto é que o olhar antropológico se concentrou mais intensamente justamente naquelas questões que caracterizaram as mudanças sociais (migração de mão de obra, por exemplo) e que começaram a ocupar um lugar no mundo da política, entre elas questões de sexualidade e gênero. Já na década de 1970, apareceram as primeiras dissertações e teses sobre prostituição feminina, aborto, violência doméstica, transformações na po­sição das mulheres, manifestações culturais que questionavam os papéis de gênero convencionais e os primeiros passos do movimento homossexual.
 
A questão da construção da nação mudou de figura. Com a Constituição democrática de 1988, e o surgimento do conceito de direitos humanos, a ênfase caiu cada vez mais na compreensão da constituição de identidades sociais diversas e das suas reivindicações de reconhecimento e direitos. Em vez de imaginar uma cultura nacional homogênea, celebra-se a diferença. Diversidade cultural se torna um valor em si.
 
Um resultado disso é que a antropologia brasileira foi montando um mapeamento minucioso de movimentos sociais e formas de viver antes conhecidos por poucos. Na medida em que o movimento homossexual, por exemplo, encoraja pessoas que amam pessoas do mesmo sexo a es­cancararem as paredes dos armários, etnógrafos como somos, mapeamos a crescente diversidade de sexo/gênero no Brasil, revelando estilos de vida, a comercialização do sexo, a segmentação do mercado de consumo, a pornografia, a religião e a sexualidade, e até escancararem as portas dos lugares mais recônditos para encontros de ordem sexual/afetiva. Ao longo desse processo, as identidades multiplicam-se, formando o que Regina Facchini chamou “uma sopa de letrinhas”. Do mundo composto de bi­chas, bofes, lésbicas, sapatões, entendidos e travestis no início da década de 1970, passamos por GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) para agora lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, formando a sigla LGBTT. Nessa explosão de identidades, há mais uma que ainda não tomou o seu lugar nas siglas oficiais, o “C” decrossdressers.
 
Esse livro de estreia de Anna Paula Vencato vem para preencher essa lacuna. Armada com o espírito etnográfico do século 21, Anna Paula fez as primeiras aproximações através da internet. Costurando confianças – no momento do início da pesquisa as crossdressers tendiam a manter radical­mente separadas as suas vidas de sapo (homens) e princesas –, aos poucos foi sendo incorporada como simpatizante no Brazilian Crossdresser Club (BCC). Entre 2007 e 2009, então, ela teve o privilégio de acompanhar o clube, observando as suas atividades e entrevistando os seus membros. A gloriosa etnografia das Olim...piadas aparece logo no início do livro para que o leitor possa entender melhor as crossdressers e para levantar as questões que a autora tratará de responder ao longo dos capítulos sub­sequentes. Isso ela faz trazendo o material das entrevistas bem como a cuidadosa observação da vida cotidiana dos membros do Club. O leitor poderá entrar no Le Closet, apartamento no Largo do Arouche alugado por um grupo de crossdressers para se montarem com a ajuda dos seus Supportive Others (SO’s), espiar as férias do Holiday en Femme e ainda acompanhar as crossdressers nos seus jantares no Largo do Arouche.
 
O leitor desavisado poderia se perguntar se crossdressers não eram travestis com nome inglês. Mas quando se trata da crescente diversidade de sexo/gênero, uma característica importante são as sutis distinções entre identidades em constante formação e fluxo. Esse livro revela que embora crossdressers, como travestis, semontam com roupas associadas às mulheres, a semelhança acaba aí. Muitos deles/delas têm esposas mulheres e, se desenvolveram uma série de comportamentos, etiquetas e valores que distinga uma identidade da outra, não menos complexos são os procedimentos para manter relativamente separadas as suas vida en femme (princesas) e de sapo. Mas mesmo nesse aspecto, mudanças são rápidas. As crescentes visibilidade e aceitabilidade de formas de agir antes proscritas, e a própria experiência do BCC, fizeram com que algumas associadas deixassem o clube, não precisando mais dele para se montar. Perdendo os receios, andam sozinhas pelas ruas. É essa velocidade da mudança social que faz com que tudo que os antropólogos estudam se torne logo história. E é por isso que uma boa antropologia é aquela que sabe passar para o papel a experiência única da pesquisadora e o meio no qual pesquisa. É isso que Anna Paula Vencato tem feito nesse texto lúcido e fascinante.


Peter Fry é doutor em Antropologia Social pela Universidade de Londres.
 
 
 
Serviço:
 
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Sapos e princesas: prazer e segredo entre praticantes de crossdressing no Brasil
Anna Paula Vencato
Coleção Queer
Formato 14x23, 274 páginas
ISBN 978-85-391-0557-1

Link para adquirir o livro:
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Nota da Niele:

Eu achei isso o máximo, tava navegando aleatorio net afora e me deparei com a sinopse desse livro, incrivel, fiquei com vontade de ler!!!

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Sttefanne Camp
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MensagemAssunto: Publicação - Anna Paula Vencato   Sex 01 Nov 2013, 16:09

Ótimo Texto Niele... Very Happy

Em tempo, a Anna Paula, contribiu com o CDPlace e nos incentivou no início, tanto que nos disponibilizou artigos, que estão no tópico
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Fico contente que pessoas iguais a ela "nos mostre para o mundo", mesmo que não tenha tanto apoio...

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Beijos
Sttefanne
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Niele
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MensagemAssunto: Re: Dica de Leitura: Sapos e princesas   Sex 01 Nov 2013, 16:59

ai que amor, ela podia aparecer aqui de volta!!! =D, nem que fosse pra dar um oi

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MensagemAssunto: Re: Dica de Leitura: Sapos e princesas   Qui 27 Fev 2014, 07:16

Alguém já leu?

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Esta mensagem expressa a minha opinião pessoal sobre o assunto e não pretende de forma alguma, ser definitiva.
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Master-Sexx

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MensagemAssunto: Re: Dica de Leitura: Sapos e princesas   Dom 03 Ago 2014, 22:02

Niele, parabéns, adorei o texto, é uma ótima metáfora do nosso cotidiano.
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Niele
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MensagemAssunto: Re: Dica de Leitura: Sapos e princesas   Qua 01 Out 2014, 17:26

pior que nao li hahaaha

acabei nem procurando, esqueci total (nao esqueço a cabeça pq ta grudada)

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Sttefanne Camp
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MensagemAssunto: Informações sobre o Crossdressing no Brasil   Ter 06 Jan 2015, 13:24

Segue um Artigo publicado em referência ao Livro:

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No meu ponto de vista, infelizmente, o artigo demonstra uma lado mais conservador do Crossdressing no Brasil, entretanto, toda fonte de informação é válida.

_________________
Beijos
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MensagemAssunto: Re: Dica de Leitura: Sapos e princesas   

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Dica de Leitura: Sapos e princesas
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